Publicado por Boselli / cronicas/poesias/reflexões em Quarta-feira, 24 de abril de 2019
Textos


ENGANO AZUL

Subi a rua e fui até o Hospital São Paulo pagar minhas contas ( as que chegaram né ? ) porque o resto só Deus sabe quando já que o correio está de greve. É que dentro do Hospital tem uma agencia B/B. Na volta aproveitei para passar na lotérica e fazer uma loto difícil ( porque de fácil não tem nada ). E aí,olha o que aconteceu ( se meus filhos souberem disso eles me internam )
Na porta tinha uma moça meia asiática ( não sei se japonesa,coreana,sei lá ) entregando um convite plastificado convidando as pessoas da fila na lotérica,a contribuirem com crianças órfãos da Ásia no Brasil. Bom...eu nem sabia que isso existia ( órfão é o que não falta no Brasil ) mas resolvi fazer a caridade. Eu tinha na bolsa notas variadas de dois reais de vinte,dez e cem. Resolvi contribuir com duas notas de dois reais. Peguei as notas na bolsa e entreguei a ela junto com o pedido de ajuda plastificado. Ocorre que quando me virei de volta para a fila da lotérica,uma das notas caiu no chão. A moça agachou pegou e guardou. Eu já estava de volta no meu lugar da fila,quando um senhor se aproximou de mim e sussurrou mansinho : - Moça...se deu uma nota de cem pra ela. Eu vi  na hora que caiu no chão. Gelei,e não pestanejei. Virei o corpo e corri em direção a tal moça asiática que continuava no mesmo lugar,agora com cara de paisagem. Já cheguei exigindo a nota de cem,sem vacilo e sem dúvida.Porque na minha cabeça eu não precisava nem abrir a bolsa para conferir. Fazer isso seria um erro fatal de segundos preciosos.Mentalmente constatei que ,com certeza,na pressa eu havia trocado a nota de dois ( que é azul ) pela de cem ( que também é azul ) e não precisava abrir a bolsa para confirmar isso.
A moça já tinha separado a nota de cem das notas miúdas e estava com ela bem guardada na outra mão. Mas quando me aproximei pedindo a nota de cem,ela não resistiu nem esboçou reação nenhuma porque deve ter visto o homem cochichar ao meu ouvido.Me entregou a nota de cem e não disse nada. E eu fui bastante rápida,ela não teve tempo de sair do lugar,nem enfiar o dinheiro na bolsa dela. Falei que eu havia me enganado,peguei a nota de cem reais de volta, e substitui por uma de dois reais que já estava na minha mão.
Ufa ! Quase...Foi por pouco...


Maria da Penha Boselli* / 2017
Maria da Penha Boselli
Enviado por Maria da Penha Boselli em 03/10/2017
Alterado em 03/10/2017
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