Publicado por Boselli / cronicas/poesias/reflexões em Quarta-feira, 24 de abril de 2019
Textos

        BOLO DE MEL

Perdi a conta de quantos anos fiquei sem fazer o meu delicioso e especialíssimo bolo de mel. Esse bolo exala um aroma de mel tão bom quando está assando ,que as pessoas que passam pelo meu andar ( dentro do elevador ) ficam extasiadas. Uma vez escutei um comentário assim :
- Meu Deus que cheiro delicioso ! De onde vem isso ?
Durante anos meus filhos levaram para a escola,lanche com pedaços desse bolo…adoravam .
 Hoje entrei na cozinha para faze-lo novamente. Demorei mais tempo que o necessário,porque
nem me lembrava mais quais eram os procedimentos da receita. Incrível como a gente esquece as coisas. Depois de quinze minutos no forno,o bolo exalava perfume de mel pelo apartamento inteiro.
Sinto-me feliz e satisfeita por ter uma receita de bolo tão especial ( herança da sogra ) que ninguém conhece. Segredo de família.
As amigas que se reuniram aqui em casa ao redor da mesa, para uma sessão de Tarot,se fartaram de tanto comer o meu bolo de mel.
Como é que a gente se afasta de coisas tão boas da vida ?
Deixei de fazer o bolo porque meus filhos cresceram? Por que a filha mais velha resolveu fazer regime ? Porque me envolvi com situações e pessoas na vida,sem afinidade nenhuma com culinária ? Por que entrei em depressão ? Por que desviei meus interesses para assuntos mais contemplativos e menos reais ? Não importa o motivo. Mesmo quando queremos romper vínculos com o passado ( para esquecer situações tristes ou decepcionantes que nos fizeram sofrer ) não justifica que as coisas boas e gostosas que fizeram parte desse passado,também sejam deixadas de lado.E isso inclue um delicioso bolo de mel.
A partir de hoje,vou retomar algumas atividades culinárias que ficaram esquecidas no tempo,começando pelas receitas que sempre deram certo e que meus filhos adoravam. Exemplo ? A torta salgada de salsa e cebolinha. E para os meus netos,ainda essa semana,o delicioso e inigualável bolo de mel,que ressuscitou em tempo feliz,de um longínquo passado que não volta mais.
                                                            
   Maat / 2015


 
Maria da Penha Boselli
Enviado por Maria da Penha Boselli em 20/01/2016
Alterado em 20/01/2016
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